Presidente Filipe Nyusi anuncia tréguas de uma semana no centro de Moçambique - Salomão Medeiros
Governo do Rio Grande do Norte

sábado, 24 de outubro de 2020

Presidente Filipe Nyusi anuncia tréguas de uma semana no centro de Moçambique

"Irei instruir as FDS para, a partir de amanhã [domingo] e no intervalo de uma semana, pararem de perseguir a Junta. Para darmos oportunidade à Junta de voltar ao diálogo", referiu. 

O anúncio foi feito durante um retiro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder e que Nyusi dirige, realizado em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, norte do país. 

"Não vamos perseguir a Junta durante uma semana precisamente para dizer que nós estamos abertos, o país está aberto, eu estou aberto" ao diálogo, reiterou. 
"As vias necessárias" para esse diálogo "estão abertas", referiu - dizendo que a Junta sabe como esse trabalho está a ser feito - para que se encontre "uma solução" para acabar com o problema de haver "moçambicanos a matar outros moçambicanos". 

"Sairemos a ganhar", destacou, se os ex-guerrilheiros dissidentes da Renamo "se juntarem ao diálogo". 

"As FDS vão estar instruídas" para não haver "perseguição direta", sem deixarem de estar alerta, detalhou. 

A Junta Militar da Renamo é um movimento de ex-guerrilheiros dissidentes do principal partido da oposição de Moçambique que contesta o líder eleito no congresso de 2019, Ossufo Momade, e as condições de desmilitarização, desarmamento e reintegração por ele negociadas com o Governo. 

O grupo surgiu em junho de 2019 e ameaçou pegar nas armas caso não fosse ouvido nas reivindicações de destituição da liderança da Renamo e quanto a uma renegociação do acordo de paz que Momade assinou em agosto do último ano com Nyusi. 

Desde então, é o principal suspeito da morte de cerca de 30 pessoas em ataques contra autocarros, aldeias e elementos das FDS no centro do país, mas ao mesmo tempo tem recusado vários apelos ao diálogo, inclusive patrocinados pelas Nações Unidas e União Europeia, entre outros parceiros. 

A violência acontece na mesma altura em que o país enfrenta uma crise humanitária no norte, na província de Cabo Delgado, onde uma insurgência armada que dura há três anos já provocou entre 1.000 a 2.000 mortos e 300.000 deslocados.Com informações da Lusa/Foto:Lusa

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