Entidades concluem mapeamento e afirmam que Felipe Guerra tem maior Caverna do Rio Grande do Norte - Salomão Medeiros
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Entidades concluem mapeamento e afirmam que Felipe Guerra tem maior Caverna do Rio Grande do Norte

Após quatro campanhas de campo, espeleólogos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV) e Meandros Espeleo Clube concluíram o mapeamento da Caverna do Trapiá, a maior do Rio Grande do Norte,localizada na cidade de Felipe Guerra,região Oeste Potiguar do estado.

Os números são expressivos: 2.330 metros de desenvolvimento, o que corresponde a mais de três vezes o da segunda maior caverna do estado, a Furna Feia (município de Baraúna), com 740 metros, e ultrapassa uma das maiores cavernas do Nordeste, a Gruta de Ubajara (Município de Ubajara, Ceará), com 2.200 metros. 

Até o presente momento, de acordo com as cavernas cadastradas nos diferentes cadastros brasileiros (Codex, CNC e CANIE), só existem cavernas que ultrapassam essa dimensão nos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná. 

A Caverna do Trapiá é, portanto, a maior caverna do Norte e Nordeste do Brasil, excluindo-se as cavernas da Bahia. 

Outro dado surpreendente é que, segundo pesquisadores da USP, a gruta é a maior do Brasil formada em rochas recentes, do Cretáceo (período geológico que vai de 144 a 65 milhões de anos atrás), período no qual foi formado o calcário da Bacia Potiguar. 
A Caverna do Trapiá foi descoberta pelo CECAV/RN em 2003, e algumas expedições preliminares ocorreram em 2006 e 2007, no entanto somente neste ano foram organizadas, em parceria com o Meandros Espeleo Clube, expedições específicas para o seu mapeamento. 

A primeira expedição ocorreu em fevereiro, quando foram mapeados 1.225 metros. 

A porção Sul da gruta foi completamente topografada, mas o conduto ao norte continuava sem qualquer sinal de afunilamento. Durante o mapeamento foram encontrados salões volumosos para os padrões locais, fósseis, aparentemente da megafauna pleistocênica, espeleotemas incomuns na região como velas e helictites, além do primeiro registro de flores de gipsita no Estado. 

Foram também observados indícios de uma conexão direta com o rio Apodi/Mossoró, distante aproximadamente mil metros em linha reta do ponto onde a topografia foi interrompida. Isso indicava um grande potencial para a caverna. 

Diante de todo o otimismo surgido com as novas descobertas, montou-se outra expedição para o mês de março. Infelizmente na ocasião não foi possível dar continuidade ao trabalho, já que as primeiras chuvas haviam começado, inundando a passagem que dá acesso ao ramo norte da caverna. 

Em setembro, após o término das chuvas, uma nova expedição foi realizada, somando 900 metros de novos condutos à topografia. 

A Caverna atingia 2.140 metros de desenvolvimento. Durante a exploração foram descobertos novos salões bastante ornamentados e ricos em espeleotemas incomuns na região, além de condutos bastante volumosos – chegando a 10 metros de altura por 8 de largura. 

Outra descoberta que chamou a atenção da equipe foi à abundância de fósseis, aumentando a importância da caverna do ponto de vista científico. Novamente os indícios de uma conexão com o Rio Apodi-Mossoró ficaram visíveis em toda a extensão da cavidade. O ponto onde a topografia foi interrompida estava a aproximadamente 500 metros do rio. 

Diante da expectativa de todos, foi organizada uma nova expedição em Novembro, quando foram mapeados mais 200 metros até o ponto onde o conduto está aparentemente obstruído com lama e blocos abatidos, chegando aos números finais do mapeamento. 

O novo trecho mapeado é particularmente difícil, pois há vários blocos recobertos com lama, e a evolução na caverna se dá alternando trechos de pequenas escaladas e desescaladas nos blocos escorregadios e com passagens em “quebra-corpo”. 

A maior dificuldade encontrada na exploração é o calor intenso dentro da gruta, que varia de 29oC na entrada até 34oC em alguns trechos, exigindo o transporte de grande quantidade de água nas expedições. A alta umidade, beirando a saturação, aumenta a sensação térmica, exigindo preparo físico e psicológico dos participantes. 

O fato de que o único acesso conhecido à caverna é um abismo de 18 m, acessível somente com o uso de técnicas verticais, contribuiu para manter sua completa integridade até o presente. Além disso, a caverna é localizada na zona rural do município, área de baixíssima ocupação humana, cujas atividades produtivas restringem-se à pecuária bovina e caprina onde os animais pastam na própria vegetação nativa, sem maiores impactos ao ambiente. 

As descobertas fazem da Caverna do Trapiá um patrimônio natural de importância inquestionável, mas seus desafios e cenários de rara beleza estarão disponíveis apenas para poucos e dispostos felizardos. 

Apesar da obstrução do conduto onde o mapeamento foi concluído, que dista aproximadamente 300 m em linha reta do Rio Apodi, ainda há uma pequena possibilidade da existência de uma passagem entre os blocos. 

Esta alternativa é perigosa, pois os blocos enlameados empilhados no final do conduto são instáveis. Ainda assim, pretendemos organizar em breve uma nova expedição para uma checagem final. A caverna do Trapiá ainda pode nos reservar boas surpresas. 

#Conforme correspondência do Analista Ambiental ICMBio/CECAV-RN Diego de Medeiros Bento-Coordenador Regional e Base Avançada Compartilhada do CECAV (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas) no Rio Grande do Norte.Foto:Divulgação 

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